Miguel, 9 anos: do tablet ao campo de jogos improvisado!

O Miguel, de 9 anos, tinha uma rotina quase automática: depois das tarefas mínimas de casa, tablet ligado e tarde inteira a passar de níveis. Um sábado, o pai desligou o Wi-Fi, pousou o dispositivo numa prateleira e disse: “Hoje quero ver o que és capaz de inventar sem ecrãs.”
A resposta saiu rápida: “Não há nada para fazer…” Em vez de propor alternativas, o pai fez perguntas claras: que espaços tinham? Que materiais havia? Que brincadeiras conhecia? Aos poucos, o Miguel começou a olhar de outro modo para a bola esquecida, para o giz numa gaveta e para o pátio exterior do prédio, quase sempre vazio.
Minutos depois, o pátio transformou-se em campo de jogos improvisado. Desenharam linhas com giz, combinaram zonas de lançamento e testaram uma primeira versão das regras. Dois vizinhos aproximaram-se, curiosos. Pouco depois, já eram vários a jogar, a discutir equipas, a ajustar distâncias, a decidir o que valia mais pontos e como se resolviam os empates.
Sem se aperceber, o Miguel foi treinando diferentes tipos de pensamento. Precisou de pensamento analítico para delimitar o espaço e decidir “como se joga”; de pensamento lógico e estratégico para organizar as jogadas e rever regras que não funcionavam; de pensamento crítico e ético para discutir o que era justo quando alguém protestava e de pensamento criativo para inventar variantes quando o jogo começava a perder a graça.
Ao regressar a casa, não falou de ter ganho ou perdido. Contou, com entusiasmo, como o jogo mudou quando chegaram os vizinhos, como aprenderam a decidir em conjunto, como foi difícil chegar a acordo. O pai limitou-se a ouvir e comentou: “Hoje criaste um jogo que não existia e pensaste com o corpo todo!”
Num pátio de prédio, sem ecrãs, o Miguel treinou capacidades cognitivas e sociais que nenhuma aplicação replica, e que serão decisivas na escola, no trabalho e na vida adulta!
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Imagem: Peter Burdon (Unsplash)






