Brincar não é perder tempo: é uma das “escolas secretas” do pensamento

Ao longo das próximas publicações vamos olhar para o brincar com outros olhos. Não como intervalo “entre o que conta”, mas como uma verdadeira escola secreta do pensamento, sobretudo quando acontece sem ecrãs, com o corpo em movimento, a imaginação ativa e outras crianças por perto!
Para muitos adultos, brincar ainda é sinónimo de tempo “perdido”. Mas é precisamente enquanto corre, inventa regras, improvisa jogos e resolve conflitos que o seu filho treina competências que nenhuma ficha de trabalho consegue replicar. Na brincadeira livre, o cérebro está permanentemente a observar, testar, corrigir, negociar, arriscar e recomeçar.
Quando uma criança decide “como é que se joga”, delimita o problema e define as condições de partida – é o pensamento analítico em ação. Ao organizar pontuações e combinações, exercita o pensamento lógico e o pensamento estratégico. Quando discute se uma jogada foi “justa” ou não, entra no campo do pensamento crítico e ético. E quando transforma uma simples corda numa nave espacial ou num rio perigoso, está a expandir o pensamento criativo e prospetivo, imaginando futuros possíveis.
Brincar assim não acontece por acaso. Necessita de tempo, espaço para experimentar e adultos que tenham a coragem de não controlar tudo, criando limites seguros mas não sufocantes. Exige também que os pais suportem, com serenidade, o aparente “caos” da brincadeira, reconhecendo que é nesse caos que se organizam muitas das capacidades de que o seu filho vai precisar na escola, no trabalho e na vida adulta.
Quando passamos a olhar para o brincar desta forma, deixamos de o tratar como simples intervalo e começamos a protegê-lo como um bem essencial no desenvolvimento do nosso filho. Cada tarde em que pode inventar, testar, falhar e recomeçar, sem ecrãs, é um investimento discreto mas decisivo na solidez do seu pensamento e na sua maturidade emocional!
Tal como refere o professor e investigador Carlos Neto, “Há uma correlação muito forte com as crianças que brincaram muito e adultos empreendedores e felizes”.
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Imagem: A. Kniaz (Unsplash)






