Se quer desenvolver a capacidade de atenção do seu filho, comece por aqui!

Vivemos rodeados de estímulos que disputam, fragmentam e consomem a nossa atenção. Se os adultos lutam para estar presentes, o que esperar de uma criança?
Confunde-se facilmente atividade com atenção. No entanto, ocupar-se não é o mesmo que envolver-se. A atenção autêntica mede-se pela profundidade da presença. Essa capacidade (intelectual, emocional e sensorial), longe de ser espontânea, constrói-se com intenção e treino contínuos.
Seguem-se algumas práticas simples, que pode aplicar em casa, para aumentar o nível de atenção dos seus filhos:
. Estabelecer pequenos rituais de transição antes de iniciar uma tarefa: respirar de forma consciente, preparar o espaço físico com ordem e silêncio, marcar o início com um gesto deliberado. Estes atos, aparentemente simples, sinalizam ao cérebro que algo relevante vai começar e que merece presença plena.
. Fazer pausas autênticas entre atividades, em que nada se exige, nada se acumula. Só assim o pensamento se pode reorganizar, integrar o que aprendeu e preparar-se para o que vem a seguir. Sem pausa, não há assimilação.
. Escrever à mão ideias soltas, dúvidas, observações ou pensamentos. Ao escrever devagar, o pensamento abranda, ganha forma, revela nuances.
. Jogar jogos que exijam espera, antecipação, planeamento e tomada de decisão. A atenção exercita-se também na ação lúdica, desde que haja tempo, regras e consequência.
. Criar diariamente um espaço sem estímulos externos, onde o silêncio não seja um vazio a preencher, mas uma condição de escuta! É nesse intervalo que o pensamento mais profundo começa a surgir.
A presença não exige produtividade constante, mas sim consciência no acto de estar. É nesse intervalo atento que se começa a formar uma mente capaz de pensar com rigor, autonomia e profundidade. É nesse silêncio lúcido, tantas vezes esquecido, que a criança aprende a habitar o próprio pensamento, e, com isso, a conquistar a liberdade de ser, de decidir e de compreender o mundo com clareza!
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Imagem: Zachary Keimig (Unsplash)






