Coisas que um filho nunca diz em voz alta (mas pensa!)

“Quando me interrompes antes de eu acabar, parece que o que estou a dizer não importa.”
“Quando olhas para o teu telemóvel enquanto falo contigo, penso que talvez o ecrã seja mais interessante do que eu.”
“Quando escolhes por mim, sem me ouvir, aprendo que as minhas ideias não fazem diferença.”
“Quando desvalorizas o que me assustou, começo a duvidar do que sinto.”
Os nossos filhos não dizem isto em voz alta, mas sentem. Por isso, vão ajustando o que mostram, o que escondem; vão moldando o discurso relativamente ao que entendem que pode ser ouvido, e começam a “desligar”. Não do mundo, mas da vontade de se explicar a quem devia escutá-los melhor – os seus pais. E quando isso acontece, não só se perde comunicação, perde-se acesso ao pensamento da criança, à forma como ela interpreta, sente e constrói sentido(s).
A infância está cheia de mensagens que não surgem por palavras, mas em silêncios longos, olhares desviados, frases a meio. A ESCUTA atenta permite decifrar essas mensagens e acompanhar os raciocínios que estão por trás destes gestos.
Não é preciso saber tudo, mas é preciso ESTAR! Estar com os nossos filhos com o corpo, olhos e intenção. Estar sem pressa de corrigir, sem urgência de dar lições. Estar disponível, com presença atenta e mente aberta – para ouvir até o que não é dito. Só quem escuta com presença consegue perceber verdadeiramente o que a criança pensa e ajudá-la a pensar melhor!
A escuta é um lugar seguro onde a criança percebe que tem valor, mesmo quando não tem as palavras certas. Que pode confiar, mesmo sem conseguir explicar tudo. Que ser ouvido é parte relevante do vínculo estabelecido com aqueles em quem mais deve confiar. E esse vínculo é uma das bases mais seguras em que se constrói a autonomia do pensamento!
Quando um filho sente que é verdadeiramente escutado, aprende algo que o acompanhará toda a vida: que o que sente, o que pensa, e o que é, tem mesmo valor. E essa certeza silenciosa torna-se a base sobre a qual constrói a confiança, o pensamento autónomo e o sentido de pertença!
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Imagem: A. Hamersmit (Unsplash)






