O seu filho não é um problema para resolver, é uma realidade para compreender.

A publicação de ontem, que assinalava os 104 anos de Edgar Morin, gerou múltiplas respostas, reflexões e comentários, recebidos pelos mais diversos canais. Um sinal inequívoco da vitalidade do seu pensamento no presente.
Por isso, regressamos, hoje, a um dos pilares da sua obra: o pensamento complexo!
Num tempo marcado por polarizações rápidas, soluções apressadas e diagnósticos simplistas, Morin lembra-nos que a realidade não é linear. O mundo é tecido de relações, contradições, ambivalências e imprevisibilidades. Educar, neste mundo entrelaçado, exige outro modo de pensar.
Pensar com complexidade não é “acumular complicações”, é assumir a densidade do real com mais rigor, mais cuidado e mais responsabilidade, compreender que nenhum comportamento, nenhuma aprendizagem e nenhuma relação se explica de forma isolada.
Ao aplicar este princípio à educação, Morin convoca-nos a reconhecer a criança como um ser em desenvolvimento multifacetado – emocional, cognitivo, social, corporal, simbólico, relacional … Um erro pode não ser sinal de desatenção, mas de medo. Um silêncio pode esconder uma sobrecarga. Uma resistência pode ser uma forma de proteção.
A complexidade não nos oferece receitas prontas, mas um modo de ver mais atento, mais analítico e mais ético. Um modo de pensar que articula razão e sensibilidade, contexto e conteúdo, liberdade e estrutura. E esse modo de pensar é essencial num tempo em que os desafios educativos não têm soluções únicas, mas exigem olhares articulados e decisões situadas!
Por isso, pensar com complexidade é, também, um gesto de compromisso. Um compromisso com o outro, com os futuros e com a possibilidade de educar melhor – não por excesso de controlo, mas por excesso de compreensão!
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Imagem: Jason Rosewell (Unsplash)






