Para crianças e jovens: Não acredites logo, avalia primeiro!

(Texto diretamente dirigido a crianças e jovens)
Já reparaste que, às vezes, ouves uma explicação, uma opinião ou uma versão de um acontecimento e sentes logo que “faz sentido”, mas mais tarde percebes que afinal não era bem assim?
Isso acontece porque nem tudo o que é dito com segurança, rapidez ou convicção está certo. E é aqui que entra um tipo muito importante de pensamento, que deves treinar: o pensamento crítico!
Pensar criticamente não é desconfiar de tudo, nem estar sempre a dizer que os outros estão errados. Pensar criticamente é aprender a avaliar o que ouves, o que pensas e o que te dizem, antes de decidir se isso merece ser aceite como verdadeiro, justo ou suficiente.
Depois de aprenderes a observar o que acontece (pensamento analítico) e a relacionar as peças para perceber causas e consequências (pensamento lógico), surge um novo passo a ter em conta: perguntar
“Esta conclusão faz mesmo sentido?”
Imagina estas situações, muito comuns:
– Um colega teu diz com muita certeza: “Ele fez de propósito!”
– Um grupo inteiro afirma: “Toda a gente acha isto.”
– Alguém repete várias vezes: “É assim, ponto final!”
– Vês algo nas redes sociais e pensas: “Se está aqui, deve ser verdade.”
O pensamento crítico faz-te parar e perguntar:
– Em que é que esta ideia se baseia?
– Que provas existem?
– Há algo que ainda não sei sobre este assunto ou situação?
– Pode haver outra explicação igualmente possível?
– Quem ganha com isto se eu acreditar nesta versão, assim tão depressa?
– O que é que precisaria de ver ou de ouvir para ter a certeza (ou para mudar de ideia/decisão)?
Uma criança ou um jovem começa a desenvolver pensamento crítico quando percebe que uma explicação pode parecer muito convincente e, mesmo assim, estar incompleta; que alguém pode falar com muita certeza e, no entanto, estar enganado; e que repetir uma ideia muitas vezes não a torna automaticamente verdadeira.
No dia a dia, isto faz muita diferença.
Por exemplo:
Se pensares “ninguém gosta de mim”, o pensamento crítico convida-te a perguntar:
– O que aconteceu exatamente para eu pensar isto?
– Existiram factos claros ou estou a generalizar um momento?
– O que é que esta ideia me proporciona – aproxima-me das pessoas ou afasta-me ainda mais?
Ou, se ouvires “toda a gente faz isto”:
– Quem é “toda a gente”?
– Isto é mesmo justo ou é só popular?
– O que é que eu penso sobre isto, depois de refletir?
Pensar criticamente não apaga o que sentes, já que as tuas emoções continuam a ser importantes. O que muda é que deixas de permitir que sejam elas, sozinhas, a decidir por ti.
Quando treinas o pensamento crítico, aprendes algo muito importante: ter uma opinião não é o mesmo que saber justificá-la.
Aprendes a analisar o que pensas quando aparecem novos dados, a admitir que podes estar enganado sem te sentires fraco por isso, e a escolher com mais cuidado aquilo em que acreditas.
Uma criança ou um jovem que pensa criticamente deixa de repetir ideias só porque ouviu as muitas vezes ou porque vieram de alguém popular. Passa a decidir com mais justiça, mais calma e mais responsabilidade, consigo próprio e com os outros.
Pensar melhor não é responder mais depressa.
Pensar melhor é avaliar criteriosamente, antes de acreditar naquilo que nos é apresentado.
Depois de aprenderes a observar, a relacionar as peças e a avaliar o que concluis, estás muito mais preparado para fazer escolhas que te protegem – na escola, com os amigos, em casa e no teu futuro!
E agora que já conheces estas três formas de pensar – observar, relacionar e avaliar – está na hora de passar da reflexão à prática.
Na próxima publicação, terás um desafio em família para treinar tudo isto no teu dia a dia, com situações reais e passos simples.
Porque aprender a pensar é um treino e, quanto mais cedo o começares, mais forte ficas!
Se esta reflexão te fez sentido, pede aos teus pais para a partilhar. Para acompanharem esta série sobre ensinar uma criança a pensar e apoiar decisões mais conscientes no quotidiano familiar, subscrevam já esta página.
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Créditos da imagem: Ozkan Guner (Unsplash)





