Problemas que são nossos, e os que não são: saber distinguir faz toda a diferença. Veja aqui!

Nem todos os problemas são iguais. Alguns desafiam-nos diretamente e exigem uma solução nossa. Outros parecem urgentes, mas são apenas ruído, que nos dispersa do essencial.
Uma criança capaz de distinguir claramente entre estas duas realidades está já a dar passos sólidos rumo ao desenvolvimento de um pensamento verdadeiramente estratégico, analítico e crítico.
Quando ensinamos uma criança a pensar, não a estamos apenas a treinar para encontrar respostas, mas, antes de mais, a educá-la para reconhecer se o problema é dela – se tem o poder de o resolver, se depende das suas ações e decisões – ou se pertence a outra pessoa, situação ou contexto mais amplo, sobre os quais ela não tem influência direta.
Dizer “este problema não é meu” não é um ato de egoísmo ou de desinteresse. É um exercício subtil de pensamento crítico e estratégico. Implica delimitar com precisão até onde chega a nossa responsabilidade, o nosso impacto, a nossa capacidade de ação. E só então decidir, com clareza, onde devemos aplicar o nosso esforço, tempo e recursos.
O pensamento analítico implica exatamente isso: definir fronteiras claras entre o que podemos controlar e o que devemos aceitar. O pensamento estratégico acrescenta a estas fronteiras o conhecimento prático necessário para decidir quando intervir e quando, deliberadamente, não devemos sequer agir!
Assim, quando uma criança aprende a perguntar, a si própria, com clareza:
«Este problema depende realmente de mim?»
«Tenho, realmente, capacidade para mudar alguma coisa nesta situação?»
«Este problema será mesmo meu, ou estou a carregar o peso das expectativas dos outros?»
… está a ganhar autonomia cognitiva, clareza mental e eficácia decisória. Está a dar passos decisivos para se tornar uma verdadeira “problem solver”, capaz não só de resolver problemas com inteligência, mas também de escolher estrategicamente quais são aqueles que merecem realmente a sua atenção.
Voltaremos a este tema em breve porque reconhecer e delimitar problemas é um dos fundamentos mais sólidos de quem sabe pensar com rigor e com profundidade!
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Imagem: Minator Y. (Unsplash)






